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Questões Frequentes: O Jogo do Pau é o sistema tradicional Português de combate e defesa pessoal, com origem e principal incidência no combate em inferioridade numérica. Como surgiu o Jogo do Pau como sistema de combate em inferioridade numérica? Antes da criação de armas de fogo, a conquista e defesa de território envolvia batalhas que eram travadas entre centenas de indivíduos com o recurso a espadas, arcos e flechas, machados, paus e todo e qualquer instrumento que estivesse disponível para ser utilizado em batalha nesses tempos de sobrevivência medieval. Como tal, e perante a necessidade de desenvolver um sistema de combate com armas resistentes e não muito leves (espadas medievais, vigas de ferro, barrotes de madeira, ferramentas agrícolas, etc) para enfrentar centenas de opositores que atacavam em simultâneo e de qualquer lado, foram desenvolvidas técnicas de ataque em rotação, cobrindo 360º e com elevada potência, assim como princípios estratégicos para a aplicação destas mesmas técnicas contra um número superior de oponentes. Estas técnicas de ataque eram utilizadas como ataques, mas também como defesas – guardas em movimento. Eventuais duelos de um contra um provenientes de contextos sociais que não o militar eram ultrapassados aplicando as técnicas desenvolvidas para o combate em inferioridade numérica, que constitui a origem e essência desta nobre arte. Que armas utiliza este sistema de combate? Esta arte de combate (esgrima) medieval veio a ser substituída no contexto militar pelas armas de fogo. Desta forma, e face à escassez de manuscritos sobre a mesma, apenas sobreviveu até aos dias de hoje pelo facto de Portugal sempre ter imposto grandes restrições relativamente ao acesso a armas de fogo pela sociedade civil. Assim, num país em que, até há bem pouco tempo (menos de 100 anos), se caracterizada fundamentalmente pela prevalência dos ambientes rurais sobre os urbanos, ocorreu a manutenção do pau / cajado como utensílio de caminhada e, simultaneamente, como ferramenta de defesa pessoal. Foi devido a estes acontecimentos que esta arte, outrora aplicada a toda e qualquer arma medieval e outros instrumentos de fácil acesso, como os agrícolas, veio a ser conotada como exclusiva de paus, ao ponto da recente designação que surgiu para a identificar transmitir essa mesma ideia: Jogo do Pau. Esta perspectiva sobre a origem e história do Jogo do Pau baseia-se um pouco numa interpretação lógica que subjectivamente fazemos da relação entre características socais e técnicas de combate criadas mas, acima de tudo, assenta no facto objectivo de, num dos livros escritos pelo Rei D.Duarte no século XV (Ensinança de bem cavalgar a toda a sela), o nomes apresentados para designar as técnicas de ataque, assim como as suas trajectórias, corresponderem aos nomes e trajectórias que nos chegaram pela prática do Jogo do Pau. Então, não sendo esta actividade um jogo, como surgiu o seu nome? Sobre a designação Jogo do Pau, a qual considero que dificulta a afirmação da identidade desta actividade como arte de combate de defesa pessoal, considero que a palavra Jogo possa ter surgido como consequência de uma ou mais das seguintes situações:
Tem algo a ver com os pauliteiros de Miranda? Sendo os conhecidos pauliteiros de Miranda um grupo de pessoas que reproduzem uma antiga dança celta, apesar de o fazerem recorrendo à utilização de paus, nada têm a ver com o Jogo do Pau, nem o Jogo do Pau tem qualquer coisa a ver com os pauliteiros de Miranda. Tendo-se associado o pau de caminhada a ambientes rurais significa que não se pratica Jogo do Pau em ambientes urbanos? Após se dar a concentração das populações em grandes centros urbanos, fruto da revolução industrial, o Jogo do Pau foi vivido neste novo contexto social como actividade de lazer e recreação. Desta forma, procedeu-se à centralização da sua prática nestes locais no combate um contra um. Consequentemente, foram aperfeiçoadas e criadas algumas técnicas defesa como as defesas directas (semi-rijas) e estratégias defensivas como os cortes, de forma a proporcionar aos combatentes maior eficácia neste tipo de combate. Adicionalmente, na escola do Mestre Nuno Curvello Russo, de forma a manter viva a essência de defesa pessoal que criou esta arte e, simultaneamente, dando seguimento ao trabalho iniciado pelo Mestre Pedro Ferreira, foi também estudada a aplicação desta arte a armas mais curtas de âmbito urbano, como são os casos da bengala e do bastão de combate policial e de defesa pessoal.
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